Romance da Bela Infanta

  

Edmund Blair Leighton: A Refém

Chorava a infanta chorava na porta da camarinha

Perguntou-lhe o rei seu pai: Por que choras filha minha?

Eu não choro senhor pai, se chorasse razão tinha

Todas eu vejo casadas, só a mim vejo sozinha.


Procurei no meu reinado, filha, quem te merecia

Só achei o conde Olário e esse já mulher havia

Ai meu rei pai de minh’alma, esse mesmo é que eu queria

Mande aqui chamar o conde pela vossa escravaria


Palavras não eram ditas, já o conde chegaria

E que a vossa majestade quer com minha senhoria?

Mando que mate a condessa pra casar com minha filha

E traga a cabeça dela nesta dourada bacia


Sai o conde por ali com tristeza em demasia

Ter que matar a mulher, e a mulher não merecia

A condessa que o esperava para abraça-lo corria

Com o filhinho nos braços já de longe bem ouvia

Sentaram-se os dois a mesa, nem um nem outro comia

As lágrimas eram tantas que pela mesa corriam


Porque choras senhor conde, desafogue essa agonia

Me dê a sua tristeza que lhe dou a minha alegria

Ou te mandam pra batalha ou te mandam pra Turquia


Nem me mandam pra batalha nem me mandam pra Turquia

O rei manda que te mate, pra que case com sua filha

E quer a sua cabeça nessa dourada bacia


Não me mate senhor conde, um remédio haveria

Vou meter-me em um convento da ordem da freiraria

Lá guardarei castidade e a fé que te devia.


Como pode ser tal coisa condessa da minha vida

O rei manda que te mate pra casar com sua filha

E quer sua cabeça nessa dourada bacia


Deus que te perdoe meu senhor conde lá na hora da cotia

Me tragam aqui meu filho entranhas da minha vida

Deste sangue do meu peito, beberá por despedida


Bebe meu filhinho, bebe, este leite de agonia

Hoje aqui ainda tens mãe que tanto bem te queria

Amanhã terás madrasta de mais alta fidalguia


Já ouço tocar o sino, ai meu Deus quem morreria?

Morreu foi a bela infanta, pela culpa que trazia

Descasar os bem casados, coisa que Deus não queria




Comentários